Meu humor atual - i*Eu! simplesmente eu

Thursday, July 27, 2006

Não sou de ninguém...

Hoje,senti-me como se algo de muito profundo se tivesse abatido sobre mim.
Enquanto outras pessoas celebram a amizade-essa maneira de unirmos o nosso coração a outro,dando-nos por inteiro a alguém com quem rimos,conversamos,choramos,partilhamos momentos,alegrias e desabafos-eu percebi hoje aquilo que já há muito sabia,mas que não tive coragem de reconhecer.Algo que me fez questionar se gozo realmente,dessa forma de amor tão pura que é a amizade.
Enquanto outros conversam,desabafam,choram,riem,se entrega, por total a outrem,ou seja,vivem,em pleno,esse sentimento de fazer parte de algo com alguém,eu,será que me dou,será que me entrego,será que alguma vez me entreguei a alguém?
Nunca.
Reconheço hoje que não tenho essa capacidade,esse dom de me fundir alguém,entregar o meu coração a outra pessoa que nem eu.Repito várias vezes:«Não sou de ninguém.Pertenço a mim própria.»E penso quão amarga essa frase soa.
Recordei hoje de manhã o meu passado,os momentos vividos ao lado de outros,outros a quem eu chamo de Amigos-não hesito sequer em utilizar essa palavra-,aqueles que são,em teoria,os que me apoiam nesta jornada que é a vida e que me pegam na mão quando nada parece bater certo.E penso:«Alguma vez chorei com eles?»Alguma vez,na solidão das minhas lágrimas,pedi um abraço,um beijo?Alguma vez,Melissa Cristóvão,deixaste que alguém te visse chorar?Ou calaste-te,negaste o que sentias,recusaste as ofertas de apoio incondicional e fechaste-te em ti própria,preferindo estar sozinha,sorrir juntos aos outros e guardar as lágrimas para depois?
Entristece-me pensar que nunca fui honesta com ninguém.Vejo agora os pedaços de mim que guardo,que guardei,que reservei para mim própria ao longo de tempo.Tanta coisa que não partilhei,tanta história que não foi contada!Aquilo que até hoje me marcou mais,aquilo que me causou mais dor,aquilo que me levou tanto tempo a tentar controlar(e que ainda hoje não controlo por completo),aquilo que me define como pessoa,o ponto de viragem na minha vida,alguma vez o partilhei com alguém?Não.Guardo tudo para mim,religiosamente trancado no coração,fechado num sítio cuja localização os outros nem sequer intuem.Cada pensamento,aqueles momentos de aflição,assim como algumas pequenas alegrias...tudo guardado cá dentro.
Não posso dizer qeu o meu coração esteja ligado ao de alguém.Não me entendam mal,eu tenho amigos,e esses amigos sabem perfeitamente que podem contar comigo,para o que der e vier,e muitas vezes os vejo sofrer,os consolo,oiço os seus desabafos.Mas,de mim,esses amigos levam histórias,teorias,gargalhadas dadas com o som no máximo e uma falsa disposição alegre.Há tanta coisa de mim que eles desconhecem.Tenho uma necessidade tão grande de me isolar,uma necessidade tão urgente de mostrar apenas uma face de mim,de dizer que tudo está bem,ou que tudo está mal,de contar as histórias pela metade,não para me exibir,mas para me proteger.É como se tivesse construído um muro à minha volta,e dentro do muro está aquilo que eu nego existir.E há quem me diga:«Tu és como um livro aberto».Isto porque eu tenho por natureza uma disposição impulsiva,uma gargalhada rápida e uma língua veloz.Mas as lágrimas,essas,caem devagarinho,e ficam sempre guardadas cá dentro para mais tarde.
Penso um pouco mais nisto,e não seremos todos assim?Não guardamos desejos,sonhos,ilusões,acontecimentos,momentos que preferimos ver como nossos e de mais ninguém?Essa reserva,essa recusa em partilhar talvez seja,no fundo,aquilo que nos dá segurança.Saber que perteno a mim própria dá-me,por vezes,uma estranha sensação de poder,poder esse que não uso,pois usá-lo seria o mesmo que deitar as cartas na mesa e revelar quem sou...
Mas,se assim for,se guardarmos para nós tanta coisa,inclusivamente certos aspectos da nossa personalidade,não seremos hipócritas ao dizer que pertencemos a alguém,que o nosso coração está unido ao de essa pessoa?Não seremos nós,seres humanos,que celebramos o amor e a amizade acima de tudo,considerando-os como as duas grandes forças deste mundo,tão sós e miseráveis que nos tornamos quase incapazes de amar alguém no verdadeiro sentido da palavra?....

Monday, August 01, 2005

Eu sei que não faz sentido...

Tenho medo.Da vida,do mundo,das pessoas,de tudo.Talvez seja porque tenho apenas catorze anos e não sei como é a vida.Talvez porque haja um monte de coisas que eu simplesmente não compreendo,por mais que tente,não consigo entender.E isso assusta-me.Asssuta-me não saber,assusta-me o desconhecido;eu quero é segurança,quero ter certezas.Quero uma explicação,quero saber porque é assim e não assado.
Eu quero é alguem.Quero amor.Não quero andar por aí a divertir-me e a fazer loucuras porque não é disso que eu preciso(eu tenho catorze anos,mas às vezes falo como se fosse muito mais velha,eu sei).Quero voltar à escola.Quero as minhas aulas,os meus livros,as minhas conversas de recreio,os meus amigos.Quero voltar àquilo que conheço e àquilo que sei.
Quero realmente muito!

Sunday, June 26, 2005

Acabou-se.Sim,acabou-se!

Sabe tão bem estar livre.Livre de sentimentos e emoções que não vingavam,que não rendiam.Livre de guerras.Livre de batalhas.Livre de lutas.
Mas,acima de tudo,livre de ti.
De ti,da tua imagem e da maldosa sombra que causava a tua passagem,do doce veneno com que adormecias o emu coração.Não que o fizesses de propósito.Não o fazias,eu sei.De mim,tu nunca pediste nada.Nada exigiste,nada reclamaste:simplesmente ouvias e aceitavas.Nada tentavas mudar.Nem aliviar a minha dor nem piorá-la.Apenas uma suave compaixão,uma sombra de paternalismo(que se manifestavam através da condescendência com que me tratavas)-era tudo o que me oferecias.Depois,claro,os tempos mudaram,tu mudaste(bom,nem tanto.mudaste depois,quando eu mudei.é incorrecto dizer que mudaste antes de mim,porque obviamente que não o fizeste.dizer tal coisa seria presumir que eu tinha mudado por ti.mas não,foi exactamente ao contrário),eu mudei.Deixaste de lado os conselhos,as artimanhas,as palavras doces e maliciosas:tornaste-te um amigo.Pedi para fazer parte da tua vida;tu aceitaste.Aceitaste-me como amiga;apenas como amiga.Só isso,e nada mais.
Agora,vejo o que tenho de tão bom.Tenho um amigo.Namorado continuo sem ter.Mas tenho algo mais valioso do que todos os namorados do mundo:tenho-te a ti.
Não posso é evitar que o meu coração sinta aquele suave travezinho a melancolia.Acho que duas pessoas tão parecidas,tão iguais,construídas à imagem uma da outra,deviam dar uma hipótese a si próprias.Só me arrependo de nunca te ter dado essa hipótese.De nunca te ter dado hipótese de me conheceres,quero eu dizer(Deus sabe que te dei um ano de hipóteses...e nenhuma tu aproveitaste.senão o fizeste foi porque assim não quiseste.)
Agora,é já tarde de mais.

Saturday, April 23, 2005

Eu não vou chorar!

Desiludiste-me.Fizeste algo de impensável.Mas foi algo que,na realidade,eu já esperava.Esperava algo semelhante a isto desde o princípio.Nunca esperei que fosses o príncipe encantado;nisso,correspondeste a todas as minhas expectativas.Pensaste que podias simplesmente virar-me as costas;pois,estavas certo.Vai te lá embora.Não me interessa.
Quando me enganaste,fiquei triste?Chocada?Amargurada?Não.Fiquei levemente abatida;mas sabes,deste-me forças para continuar.Ao fazeres o que fizeste,permitiste que descobrisse que sou mais forte do que na realidade achava que era.E,admito-o,tu significavas algo de valioso para mim;mas a tua perda não me afectou por aí além.É tão simples quanto isto.
Se chorei quando soube da notícia?Não.Chorar por ti,eu?De maneira nenhuma!Não o mereces.Fazê-lo seria dar-te mais importância do que aquela que na realidade tens.Se vou chorar,que seja por alguém que valha a pena;por ti,nunca!

Monday, April 18, 2005

Da tua janela

Todos os dias eu te via,com teu cabelo castanho claro e teus olhos da cor do mar.Eras tu o rapaz que se sentava,durante longas e prolongadíssimas horas,na janela da tua casa,de cotovelo apoiado no parapeito.Eras o rapazinho que,com olhos de estrela e saudade no olhar,comtemplava a Lua,essa mesma Lua que nos unia,que nos ligava,e que, abruptamente, nos separava também.Fitavas o escuro céu nocturno como se nele tivesses depositado todos os teus sonhos,todos os teus medos,todas as tuas esperanças.Havia,entre ti e as estrelas que docemente fitavas,um pacto,um acordo secreto,como uma canção da qual apenas tu sabias a letra.E eu,sentada,escondida na minha janelita,tentava compreender,tentava intuir aquilo que pensavas.Até ao momento em que fechavas a janela e te despedias da Lua e das estrelas com um beijo de boa noite,deitando-te depois na tua cama,onde adormecias num sono lento e suave-sono esse que tu,e só tu,merecias ter.
Quando dizias boa noite à própria noite,eu recolhia-me também.Mas a verdade é que o meu sono era tão frio e vazio sem um beijo de boas-noites teu.E eu,agitada,ficava durante horas e horas agarrada à almofada,tentando imaginar-te,tentando adivinhar-te,deitado na tua cama,dormindo calma e docemente.tentava sonhar os teus sonhos,intuir o que pensavas.E depois,quando o sono era mais forte e eu própria adormecia,sonhava contigo.
De manhã,quando o Sol nascia,o meu acordar era agressivo e angustiante.Pois todos os meus desejos sonhados afinal não se tinahm concretizado e tu estavas ali,sonhando um mundo que eu desconhecia,vivendo uma vida da qual eu jamais faria parte.
Quando o dia estava bom e o Sol brilhava,alegre e ternurento,em toda a sua glória,tu sentavas-te de novo à tua janelita e escrevias.Sabia o que escrevias-ali,fitando o papel com toda essa ânsia,com a angústia típica da paixão,não podias escrever mais nada a não ser cartas de amor.E eu,desconhecendo o destinatário dessas mesmas cartas,sabia que não era eu a pessoa às quais as irias(ou talvez não)entregar.E sonhava,desejava ardentemente que fosse eu,que fosses tu,tu e só tu a amar-me ,e que fossem a mim dirigidas essas mesmas cartas.Espiava-te secretamente enquanto escrevias,corria para a porta com uma ânsia desmesurada,quando o carteiro chegava;várias cartas chegaram,algumas delas até para mim,mas nem uma que fosse tua.
E foi assim que fui vivendo.Sobrevivendo lentamente a cada instante,ultrapassando a dor da saudade a cada segundo.
No meio disto tudo,nem sei bem como te esqueci!

Tuesday, April 12, 2005

É quem se cala quem grita mais alto

Era daquela antiga casa,nascida ainda no meio das luzes rebeldes e do brilho ofuscante dos tempos renascentistas,que provinha aquele doce odor a rosas.O aroma de flores coloridas e alegres,porém delicadas,enchia o ar como um romance,uma história de sonhos,de amores,de alegrias sentidas no peito e vividas na alma.Era ali,naquele grande e velha casa,que tinha lugar a festa.A mais badalada,a mais esperada festa de todo ano,não fossem os donos da casa o Sr. e a Sra.Melo,grandes figuras do panorama comercial do país,imperadores da indústria têxtil.E todo o cenário,todo o murmurinho que se juntava em toda a casa,fazia parte de um quadro:um grande e belo quadro,cheio de suaves(porem decididas)pinceladas,cheio de cores e de tons quentes que davam a correcta ideia de movimento e a incorrecta ideia defelicidade,de comunicação.Como se por detrás de todo aquele arsenal de mesas e delicadas flores e espampanantes vestidos de baile se escondessem segredos,traições,desgostos sentidos por corações amargurados.Corações esses que se cobriam hoje com o cegante brilho da alegria.Da falsa alegria,bem entendido.
Por entre a erva seca e o quente brilhar da noite,ele caminhou,atravessando o grande jardim em direcção à casa.Havia nele algo de estranho,de suspeito,algo que o fazia diferente do resto das pessoas que,tal como ele,se espalhavam pelo jardim.Nos seus olhos,havia algo,algo que facilmente podia ser confundido com um tudo,pois os seus olhos por si só pareciam o mundo:eles observavam,absorviam,retinham tudo à sua volta.E,em resposta àquilo que conseguiam atingir,eles calavam-se,retraíam-se,fechavam-se em si próprios.Eles estavam ausentes,ausentes na sua presença,pois nada lhes escapava:dissecavam o mundo,dissecavam a mentira,dissecavam até mesmo a verdade,pois esses olhos tinham visto mais do que um mundo e nada temiam.Mas o seu era um olhar que criticava,que não perdoava,que via e compreendia,mas jamais aceitava:era a perfeição,e a perfeição apenas,que aquele estranho,com o seu enigmático olhar,procurava alcançar.
Lentamente,deu a volta ao jardim,contornando a grande casa em direcção à porta das traseiras.Não que ele não tivesse convite(aqueles seus olhos,que apenas aceitavam e esperavam a perfeição e a integridade,jamais seriam capazes de tal coisa),mas era por ali que ele pretendia entrar.E foi exactamente isso que fez.A porta estava aberta;foi simplesmente necessário rodar a maçaneta para que ela se abrisse,solícita,permitindo-lhe assim a entrada para todo um mundo de superficialidades,de ilusões,de mistérios por desvendar.
Atravessou o longo corredorque levava até ao salão de festas.Aí,pode entrar sem ser notado.Por entre as tipícas conversas de salão,por entre os elegantes vestidos de noite e pomposos fatos,caminhou.Ninguém reparou nele.Nem sequer os anfitriões da festa,que tinham como tarefa receber e conversar um pouco com os seus convidados.Para aqueles estranhos,ele não era nada.Não estava lá,naquela festa,não existia sequer.E foi assim,silenciosamente,sem se fazer notar,que atravessou toda a sala,o seu olhar firme e recto fitando e processando cuidadosamente cada pormenor,cada copo de champagne,cada candeeiro de parede,absorvendo todos os detalhes.
Encostando-se a uma solitária parede,estacou.À sua frente,a uma distância considerável,encontrava-se um louco,um homem que,visivelmente,tinha já bebido mais do que o aceitável.Encostado á mesa,curvado sobre si próprio,o homem cabeceava,o seu requintado casaco azul dobrando-se e amarrotando-se em dobras irreversíveis.Toda a sua figura torcia-se e retorcia-se de dor,a sua cara contorcendo-se em espasmos de horror,a biqueira preta dos seus sapatos resvalando para debaixo da mesa à medida que ele escorregava em direcção ao chão.Alguns dos convidados paravam para lhe pousar um braço estéril sobre os ombros curvados;outros,simplesmente ignoravam-no.No meio desta repuxada actuação,teve tempo de reparar que ninguém o ajudava verdadeiramente.
Até que,assim,num sopro,aconteceu o inesperado(na realidade,era algo que ele,o estranho na festa,previa e esperava desde o primeiro instante):todas as luzes se apagaram.Ficaram por instantes mergulhados na escuridão,no calor grave do silêncio,até que alguém gritou:
-O colar!O meu colar!
E,repentinamente,todas as luzes se acenderam.Mas aquela sala já não era a mesma.Não havia mais aquele brilho,àquela descarada falsidade,aquela angústia disfraçada de alegria.Havia agora no ar uma mentira,que cedo se transformaria numa verdade,numa certeza.
E,no meio do salão,uma senhora em pranto,chorava.
-O colar!O meu colar!Alguém o roubou!O meu colar de diamantes!
Enquanto proferia estas palavras,agarrava-se ao seu pescoço nu,como se procurasse provas da já confirmada falta.Momentos antes,tinha havido,naquele pescoço,um colar,brilhante e animado,tão supérfulo quanto toda aquela farsa.
Até que,do meio da ansiosa multidão,uma voz se ergueu acima das outras:
-Perdoe-me,minha senhora.Penso que sei onde está o seu colar.
Todas as cabeças se viraram,simultaneamente,para comtemplar o homem baixo e de olhar inquiridor que tinha falado.E logo se juntaram em seu redor,formando uma roda,analisando com atenção o baixote que dizia ter a solução do mistério.
-Quem será?Não me lembro de o ter vsito na festa.
-Não sei.Nunca o vi mais gordo.
-Será um penetra?
-Não sei.Nunca na minha vida o vi.
E cercaram-no,lançando-lhe olhares inquiridores.Mas os seus aguentaram com firmeza a torrente de olhos que lhe eram lançados.E,assim,percorreu com o olhar a roda que se formava à volta dele,até se ter fixado numa figurava elegantemente vestida com um fato azul-escuro e sapatos pretos de biqueira quadrada.E pode reparar como ele era alto,como ele era elegante,agora que a força de uma bebedeira inventada não repousava sobre os seus ombros rijos e largos.E ele devolveu-lhe esse olhar,esse mesmo olhar,não com súplica,não com arrependimento,simplesmente com a mesma firmeza e força de vontade.
O estranho(aquele posicionado no meio da roda,vitíma dos olhares curiosos dos restantes convidados),curvou-se para retirar do bolso interior do seu casa um pequeno par de luvas negras.E acenou à multidão,com ligeiro,porem educado,menear de cabeça:
-Agora vou-me que se faz tarde.Chamem as autoridades.
E saiu pelo mesmo sítio por onde antes tinha entrado.

[o roubo do colar vem de uma historia de banda desenhada da Disney.o resto fui eu que inventei]

Thursday, April 07, 2005

Noite

Há na noite uma qualquer magia estranha,leve,timidamente forte e imperativa.É como uma fantasia doce,umsonho sonhado com os olhos abertos e o coração no chão;é por isso que à noite ocorrem nos seres humanos alterações levemente imperceptíveis,permeáveis não à vista,mas sim à alma.
É por isso que à noite ficamos mais calados.Ficamos mais tímidos,mais silenciosos,o coração mudo e os olhos atentos,perscutando sinais através dos raiosde luar.À medida que a noite vai caindo,aproxima-se de nós um manto negro,uma escuridão densa e profunda,que me mergulha de cabeça no silêncio e nos leva a reflectir,a pensar extenuantemente e a racionalizar constantemente.Parecendo que não,a noite,essa donzela traiçoeira,é um lugar emotivo:analisam-se e racionalizam-se as emoções,como que tentando colocar os sentimentos na maca da sala de operações e tentar descobrir-lhes assim detalhes,segredos que à luz do dia não podem nunca ser visto,mas que de noite são pressentidos e anunciados com essa doce calma dos corajosos.
E é assim que a noite é:é uma armadilha.Uma armadilha que nos leva a ficar tão sorrateiramente atentos,escutando conversas por entre olhares e descobrindo caminhos antes invisíveis por entre as palavras.É por isso mesmo que,de noite,parecemos tão frios,tão ardentemente distantes,quando é exactamente de noite que mais próximos nos encontramos.E tudo aquilo que de noite pelo cérebro é descoberto,é cuidadosamente trilhado pela torrente de emoções que violam o coração.Pois de noite nós não pensamos(é impossível pensar de noite,quando as luzes são sublimamente mais fracas mas parecem afectar-nos de uma maneira trágica e severa):sentimos.
Por tudo isto,a noite é magia.